O museu Victoria & Albert, em Londres, inaugurou esta semana a exposição Balenciaga: Shaping Fashion, em homenagem à obra do talentoso, intrigante e visionário costureiro espanhol Cristóbal Balenciaga. A mostra procura explorar sua habilidade requintada, na arte da modelagem – considerada obra de arquitetura -, e de seus projetos inovadores, como forma de moda moderna – vanguardista. [Assista ao vídeo no final do post, que convida a aprender com o “Mestre” Balenciaga]

A exposição está dividida em duas seções – uma com peças do final da carreira do criador espanhol e outra com peças que demonstram a sua influência em designers contemporâneos, como Molly Goddard e Rei Kawakubo – num total de mais de 100 criações.

A retrospectiva examina o trabalho de Balenciaga entre os anos 50 e 60, altura em que a Moda era dominada pelo New Look de Christian Dior. “Foi no início dos anos 50 que ele começou a afastar-se daquilo que os outros designers costumavam fazer, e começou a seguir suas próprias formas, criando peças mais modernas e revolucionárias”, explicou Cassie Davies-Strodder, a curadora da exposição. E continuou: “Sua carreira sempre envolveu algum mistério, porque ele não deu muitas entrevistas ou escreveu a biografia. Foi de certa forma complicado realizar a presente mostra porque há muita mitologia acerca de uma pessoa assim. Há tantas histórias, mas ele deu somente uma entrevista durante sua carreira… Ele era muito reservado. Nos 10 primeiros anos de sua Maison ele baniu a imprensa de ver a apresentação de suas coleções – eles faziam uma visita separada um mês após o lançamento. Isto poderia ser interpretado como um suicídio da carreira, mas ele tinha muita segurança.”

Entre os destaques da mostra, estão as silhuetas vanguardistas de Balenciaga, deste período, como os vestidos baby doll, coordenados e acessórios feitos especialmente para mulheres como a atriz Ava Gardner ou as socialites Gloria Guinness e Mona von Bismarck.

Vestido inspirado na tradição espanhola de toreador

A visão em Raio-X da estrutura de seus vestidos, são, sem sombra de dúvidas, a parte mais sensacional da exposição. do designer espanhol, a quem Christian Dior nomeou “o mestre de todos nós“.

Cristóbal é um dos estilistas que mais marcou a história da moda. Criou formas e volumes imortais, representados através de vestidos e trajes que lembram flores, como a tulipa e a rosa desabrochada com suas pétalas por inúmeros plissados. Este verdadeiro arquiteto de modelagem feminina, além de grande criador, foi um uma pessoa singular durante sua vida.

Vestido [imagem anterior] em Raio X

Filho de pescador e mãe costureira, nasceu em Guetaria, região basca da Espanha, em 21 de janeiro de 1895. Mesmo vindo de uma família pobre, seu talento como grande designer surgiu muito cedo em sua vida. Aos 12 anos desenhou, pela primeira vez, um vestido a Marquesa de Casa Torrès, que, desde aquele momento, foi a grande incentivadora do jovem Balenciaga em sua carreira. Logo, começou a frequentar o ateliê de um alfaiate madrileno, com quem aprendeu alfaiataria.

Vestido Vermelho em Raio X

Em 1915, abriu sua primeira casa de costura em San Sebastian, cidade próxima à sua. Seu sucesso não demorou a chegar e, em pouco tempo, se transferiu para Madri. Na década de 30, Cristóbal já havia adquirido a fama de melhor costureiro da Espanha. Com intuito de ampliar seus horizontes, em 1936, decidiu mudar-se para Paris e, em agosto do ano seguinte apresentou sua primeira coleção.

Dez anos antes do “New Look” de Dior, que viria revolucionar a moda da época, as criações de Balenciaga já começavam a atrair as socialites e as atrizes famosas para sua Maison, que ficava no número 10 da avenida George V, em Paris.

A experiência adquirida em alfaiataria permitiu que o espanhol não somente desenhasse seus modelos, mas também os cortasse, preparasse e costurarasse, o que não é muito comum entre os estilistas, cuja maioria, apenas desenham suas criações.

Vestido Tulipa Costas

A perfeição das proporções realizada por Balenciaga em seus modelos pode realmente ser considerada uma verdadeira obra de arquitetura, consequentemente de arte. Declarado  grande mestre da alta-costura, seu estilo elegante, às vezes dramático, fizeram de suas criações peças inconfundíveis.  No início, as cores que adotava eram sóbrias, como tons de marrom escuro, porém ganhou, posteriormente, fama de colorista.

Vestido Tulipa Frente

Em 1939, lançou o corte de manga com a aplicação de um recorte quadrado e uma linha de ombros caídos, com cintura estreita e quadris arredondados. No ano seguinte, apresentou o seu primeiro vestidinho preto, com busto ajustado e quadris marcados por drapeados, além de abrigos impermeáveis em tecidos sintéticos.

Vestido Tulipa em Raio X

Em 1942, as jaquetas largas e as saias evasês compunham a chamada “linha tonneau”. O primeiro paletó-saco e os redingotes com mangas-quimono surgiram em 1946. Suas coleções de 1947 e 1948 tiveram inspiração espanhola, com elegantes vestidos e boleros de toureador para a noite.

Em 1949, fez mantôs com muita amplitude e, em 1950, vaporosos e retos, além do vestido-balão. Na década de 50, Balenciaga apresentou lã tingida de amarelo-vivo e cor-de-rosa, o que não era nada comum.

Cristóbal Balenciaga viveu o auge de sua fama e criação durante os anos 50, começando em 1951, mudando a silhueta feminina, ao eliminar a cintura e aumentar os ombros, de forma extremamente acentuada. Em 1955, criou o vestido-túnica e, em 1956, subiu as barras dos vestidos e casacos na frente, deixando-as mais compridas atrás, além do primeiro vestido-saco. Em 1957, apresentou o vestido-camisa. A linha “Império” foi criada em 1959 e veio com a cintura alta para os vestidos e os mantôs em forma de quimonos.

Criação atual de Demna Gevasalia

Durante os anos 60, Balenciaga criou casacos soltos, amplos, com mangas-morcego e, em 1965, apresentou os primeiros impermeáveis transparentes em material plástico. Sua última coleção foi lançada na primavera de 1968 – ano em que se aposentou e fechou sua Maison – quando mostrou jaquetas largas, saias mais curtas, vestidos-tubo e muitas cores.

Balenciaga era considerado purista e classicista. Seu estilo ainda é lembrado pelos grandes botões e pela grande gola afastada do pescoço.

Aposentou-se em 1968 e morreu, aos 77 anos, no dia 24 de março de 1972, em Javea, na costa espanhola do Mediterrâneo.

Em 1997, o francês Nicolas Ghesquière – atual designer da Louis Vuitton – assumiu a criação da marca, que foi comprada pela poderosa Gucci em julho de 2001, onde permaneceu por quinze anos. Com sua saída, entrou o designer georgiano Demna Gevasalia, – proveniente da arrojada marca Vetements – que tem assimilado e desenvolvido o espírito de criação de Cristóbal Balenciaga, como há muito tempo não ocorria na história das Maisons. Através da exposição, o espectador poderá comprovar através de comparações.

A mostra se estenderá até 18 de fevereiro 

Assista ao vídeo a seguir, que convida a aprender com o “Mestre” Balenciaga:

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