Às vésperas de uma grande retrospectiva no Metropolitan Museum of Art, com a abertura da exposição “Rei Kawakubo/Comme des Garcons: Art of in-Between”, sobre o trabalho da radical e reclusa designer japonesa Rei Kawakubo, fundadora e diretora criativa da icônica marca Comme des Garçons, confessa que suas criações são causas de preocupação e dor constante ao mesmo tempo que reconhece sua impossibilidade de parar.

Conhecida por seu design vanguardista e habilidade em desafiar as noções convencionais de beleza bom gosto, e tendência de moda. A exposição temática exibirá cerca de 150 peças femininas da Commes des Garçons desde o início dos anos 1980 até suas coleções mais recentes.

Em entrevista, o curador da exposição Andrew Bolton declarou: “Existem muito poucos designers vivos que podem realmente ser exibidos pelos seus trabalhos em um contexto de arte, e Rei Kawakubo, é indiscutivelmente uma delas. Durante sua vida, Kawakubo mudou o curso da moda, oferecendo novas possibilidades com significados plenamente compreensíveis. “Esta é uma mulher, que declarou ‘Eu não queria fazer roupas’, nos bastidores de um desfile em 2014, e que descreveu sua mais recente coleção como “roupa invisível. É ainda a designer que fez toda uma coleção aparentemente sem mangas [o título era “Witch” – “Bruxa”], outro sobre uma saia — com mais de 35 renovações [que farão parte da exposição Met], e uma sobre o surgimento de um mundo global. Esta é a mulher que, como designer, ousou enfrentar todas suposições convencionais sobre a beleza e o corpo. Mas que também, no início de sua carreira, criou roupas que se assemelhavam a roupas reais. Como a “Broken Bride” – “Noiva Fragmentada”, em 2005 que ela caracterizou como símbolo de sobre “anti-conservadorismo”, quando apresentou peças românticas, cobertas de tule e renda que levou os espectadores às lágrimas.

O que confesso, chocou-me, foi saber que com tanto talento e conhecimento de arquitetura, vista em suas peças desestruturadas e inovadoramente tecnológicas, esta designer sofra com o processo de criação. [Identifiquei-me com Kawakubo, meu Deus que audácia, ao saber que até o momento da apresentação do desfile, ela fica se questionando se está correto ou não. Pensei que houvesse somente uma Maria Elisa neste mundo…].

Rei Kawakubo

Kawakubo declarou que nunca os desenvolvimentos foram fáceis e que, apesar de sentir-se torturada, ela não consegue parar. “Foi muito difícil eu definir a “alma” da Comme des Garçons e depois que o fiz senti-me forçada a colocá-la em cada uma de minhas criações, porque era isto o que todos esperavam. Se eu modificasse radicalmente deixaria de ser Comme des Garçons

Rei Kawakubo adora punk. O termo conhecido DIY [“Do it yourself” – “Faça você mesmo”] faz parte de sua vida. A designer também demonstra ser um peso ter que criar duas coleções por ano, tanto feminina como masculina. Mas não consegue se dar ao luxo de pular uma delas, por estar convencida de que, se parar, nunca será capaz de começar de novo.

Rei Kawakubo

Neste momento, a maior ansiedade da designer japonesa é “Rei Kawakubo/Comme des Garcons: Art of in-Between”, a exposição que será aberta no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, no próximo dia 04 de maio, quando acontece o icônico Met Gala.

É apenas a segunda vez na história do Costume Institute do museu que acontece uma exposição de uma designer nos seus 74 anos. E é a primeira vez que Kawakubo concordou em colocar o nome para tal fim… Ela nunca teve qualquer interesse em revisitar seu passado, então o pensamento de uma retrospectiva tradicional é uma espécie de chateação para ela. Quando o curador Andrew Bolton a consultou inicialmente, ela esclareceu que a exposição deveria ser focada somente em suas coleções, dos últimos quatro anos. Seria a partir de um marco em sua trajetória quando fez algumas alterações na Comme des Garçons, dispensando designers assistentes e voltando a criar sozinha. “Foi a única maneira que encontrei para continuar a fazer o que eu queria”, explicou. Por esse mesmo motivo, seria a única maneira que ela poderia se imaginar realizando uma exposição no museu. “Mas tudo foi mais longe do que eu imaginava e ficou um pouco diferente”, admitiu Kawakubo. “Eu não fiquei muito feliz no início. Eu nunca quis fazer uma retrospectiva, e acabou acontecendo’, finalizou a designer.

“Estamos em um período onde a moda e designers, são cada vez mais considerados como descartáveis,” disse o curador. “Eu queria concentrar-me em alguém que tem sido singularmente dedicado a uma visão criativa, para lembrar a todos o quão valioso isto é.”

“Minha Energia vem da liberdade e espírito rebelde” – Rei Kawakubo